sábado, 24 de maio de 2008

tudo errado.

essa manhã, ao levantar, nada se pareceu - ou pelo menos se aproximou - de como eu desejei acordar. um único desejo de desaparecer e perder a consciêcia por um dia latejava em meus pulmões. de longe ouvia barulhos, ruidos, conversas. não eram comigo e nem sobre mim. as coisas estavam distantes de minhas mãos assim como eu me encontro agora, distante de meu corpo. já não há mais consistência nos meus quereres e nem nos meus sentimentos. são só dúvidas que alimento-as diariamente contra mim mesma. talvez um tempo, um dia. distância. lugar nenhum...não quero nada além de tempo. não quero nada além de qualquer coisa além da realidade. abri o jornal e no horóscopo dizia: "Aquarianos estão bem no astral de hoje! Devotamento a causas e a artes em destaque traz felicidade e paz interior. Você conta com forte proteção espiritual hoje e não vai cometer deslizes de exagero se levar a sério sua percepção. bom dia pra decidir rumos de uma relação de amor."


e desde então decidi parar de ler essas porcarias.

tá tudo errado.

domingo, 11 de maio de 2008

el memoriosa.

uma música. um suspiro. um nó. uma lágrima. lembranças de dias que foram bons. a imaginação flui de forma tão natural que poderia ser matéria da memória. de uma forma inexplicável sinto saudade do que ainda não aconteceu e, ao mesmo tempo desejo loucamente que tudo seja como confabulei. que chegue logo esse dia. que passe logo para se tornar lembrança.

o que escrevo aqui, nesse instante, não passam de divagações que tive ao ler uma entrevista de umberto eco pra folha de são paulo (mais precisamente no caderno mais!). em suas palavras, "a memória é nossa identidade, nossa alma. se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal. se você bate a cabeça em algum lugar e perde a memória, converte-se num vegetal. se a memória é a alma, diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.". impossível seria não lembrar o conto de borges, funes, el memorioso, também citado pelo u.eco. li o conto quando eu nem pensava em fazer letras. li em espanhol, mesmo sem conhecer a língua, com o dicionário e uma gramática ao lado. conselho de leitura de um professor, um daqueles que se lembra toda a vida, mesmo tendo aula com ele apenas por um ano. li, reli e me emocionei. era aquilo tudo. não é possível e nem é bom se lembrar de tudo, mas basta me lembrar do necessário e suficiente.

voltei no carro pensando no que eu tinha lido. refleti sobre mais diversos temas pra terminar no mais corrente atualmente. é que tenho sentido tanta falta de uma amiga que me peguei imaginando o dia em que ela vai voltar. chorei de emoção como se ela estivesse em minha frente, prestes a pisar de volta em solos brasileiros. não conseguia expressar minha felicidade - ainda não consigo, com toda sinceridade. também relembrei de tanta coisa que já passamos juntas...é, amizade é fogo. agente vicia na pessoa e não vive mais sem. hoje eu sou assim, viciada na carol. ela faz uma falta incompreensível e inimaginável. desde que ela se foi, muita coisa mudou. na verdade, ando mais na minha, mais calada. engulo de volta o que antes seria dito pra ela, independente da seriedade - ou da falta de - e já não me sinto mais a mesma não. se isso é bom ou ruim, não sei. a única certeza que cultivo é que o dia em que ela voltar vai ser um daqueles a serem lembrados para sempre, no hall dos melhores da minha vida.

ps: também linkado á esse assunto, sonhei essa semana com a volta da carol e do cléber - ambos em temporada em londres, inglaterra. mas não foi um desses sonhos bons não...na verdade, eles estavam na sala de embarque/desembarque, do outro lado do vidro, de volta ao brasil. mas eles não pudiam/conseguiam passar o vidro. foi estranho. acordei péssima e sem entender. bom, foi só um sonho...ou um pesadelo. verdade é que daqui á +- 6 meses estaram ambos ao meu lado. amo vocês, meninos da minha vida.

sábado, 15 de março de 2008

brisa bôa.

Já é bem tarde e, entre várias coisas que fiz, abri essa página em branco e pensei em milhares de coisas pra dizer, mas agora não me vem nada em mente mais. Com o sono tomando conta do meu corpo e, lentamente, também dos meus pensamentos, fico aos poucos retardada. Assim, retardada no sentido da palavra mesmo: RETARDADO style="font-style:italic;">adj 1. que se retardou 2. que demora; demorado. Na minha cabeça, só entra a música que estou ouvindo (The Hermit Crabs , thank's Flavinha). Só sai o que ouvi ontem ("eu acredito em fadas, acredito, acredito acredito!" frase do Peter Pan). Só de tanta coisa, viajo em duas vertentes do pensamento:

1. mais uma vez, me surpreendo com esse acaso. já me cansei de falar sobre ele, aliás. basta olhar o arquivo desse blog ou folear meus cadernos que lá estarão reflexões sobre o tema. a questão é que ele, assim, puro, é tão atrativo. tudo bem que ele nos tras tanto coisas ruins quanto boas, mas peguei a fórmula de perceber apenas o que é bom pra mim, nesse caso. assim, vira e mexe encontro pessoas, momentos, instantes e palavras que me deixam melhor.

assim, deixo então que o acaso tome rumo da minha vida, pois, como já ouvi uma pessoa querida me dizer "são coisas da vida, é simples" e complicar as coisas...só complica as coisas ainda mais. ;D

(vale ressaltar que eu não faço o perfil de pessoa que enxerga tudo lindo. não mesmo. deve ser o sono...)

2. na natureza da morte do sonho. quero dizer, da idealização, entende? é que temos a mania boba de idealizar tudo. TUDO. e, só um instante, NADA é perfeito. e isso é óbvio e criando essa imagem de perfeição só nos proporciona desilusão. mas desilusão é coisa da vida, não dá pra reclamar. e idealizar tudo é próprio do ser humano. também não dá pra mudar. dessa forma, estamos fadados a morrer de desilusão. isso é triste e desanimante, mas não o fim do mundo (...sempre tem um jeito de piorar) e não vamos deixar de sonhar para dar lugar a essa bobeira que é a realidade crua. continuemos assim, dessa forma. foi assim que sobrevivemos há tanto tempo, e é assim que vamos continuar. não há problema nenhum nisso.

(também não sou negativa. não mesmo. pode ser o sono também, quem sabe...)

No fim das contas, já são 03:16 da manhã, estou com tanto sono que vejo sa letras embaralhadas na tela do computador, nada mais se contextualiza no meu pensamento e amanhã vou ter que acordar RELATIVAMENTE cedo. É que amanhã meus amigos virão almoçar aqui em casa e adoro recebê-los. E isso vai ser só a cobertura do meu bolo de três dias bons SEGUIDOS. Não é todo mundo que tem esse prazer, não sempre. Geralmente quando isso acontece eu costumo pensar "ish...lá vem merda!". Mas dessa vez, vai ser diferente. Vou aproveitar esse tempo bom. Vou ouvir música, conversar com amigos, falar besteira com alguém especial, rir das besteiras que fiz quando bêbada e sonhar com a viagem dos meus pais.

Boa noite.
Desejo-lhes dias tão bons quanto os meus.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

estranheza.

talvez tenha passado tempo demais.
ou então foi tão pouco tempo que nos fez perceber que tanta coisa não passou do nada.
confesso ter superestimado alguma coisa inexistente elevando-a a outro cosmo desconhecido.
ou então subestimei a possibilidade de qualquer crescimento enxergando os sinais como simples e eventuais movimento.
foram noites em claro tentado entender qualquer coisa desperdiçada, noites aquelas que aprendi a valorizar cada vez em que me olhava no espelho e só notava as grandes olheiras. estive exausta em um tempo em que não havia com o que me preocupar, ou nada além do que já estava feito e pronto. por uns dias enfim percebi que seria melhor ignorar tudo que se passava em minha cabeça e me entregar á cama, desejando-a. em vão, já que em meus sonhos - ou seriam pesadelos? - tudo que tentei esquecer se manifestava, e, por causa disso, acordei muitas manhãs com pensamentos ainda piores me atormentando, ainda pior.
finalmente na noite passada, não sonhei. nada se passava pela minha cabeça. acordei ainda sim com os mesmos pensamentos que me vira e mexe reaparecem, de tempos em tempos. só que dessa vez, não há muita solução: minha melhor amiga está longe, não confio em quase ninguém e há quem diga que está por perto, mas na verdade não tem tempo. não, eu não quero atenção e isso não é um drama. eu só queria saber quando é que isso vai passar e quando vou poder dizer tudo que eu penso sem ter a aflição de estar entre estranhos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Para um grande amigo.

Cria-se laços. Cabe á cada um, reforçá-los ou afroxá-los. Eu, pessoalmente, nunca fui uma pessoa de afroxar laços, seja lá qual for o tipo. Mas, sem dúvida alguma, não cabe á mim, ou não apenas a mim torna-los ainda mais fortes do que outros. É bem coisa da vida mesmo. É...foi por volta desse ano que aprendi que isso que já haviam me dito é fato, não lenda. Acho que foi por esse ano mesmo por que foi quando conheci gente. Gente demais, pra falar a verdade. Mas tenho o prazer imenso - e intenso, diga-se de passagem - de poder afirmar com toda a certeza - e sem alguma dúvida, mesmo conhecendo-os pouquissímo - que conheci as melhores pessoas do mundo. Daria tudo para mantê-los por perto por todo o sempre, enquanto for que essa eternidade dure...Bem por que não brinquei quando disse que quero guardar um tanto de gente nos potinhos. Eh, haja potinhos...

Na verdade, escrevi tudo isso pra falar de um amigo. Um cara aí que conheci esse ano, no meio de tanta gente. Um ruivo, alto, de sorriso grande, olhar sincero, cabelo bagunçado e barba engraçada. Ah! e de sardas! Bom, é que ele foi uma das primeiras pessoas que tive o prazer de conhecer: já no meu trote na FALE trocamos bons papos e percebi que muita coisa mudaria a partir dali. O Cléber me ajudou a entender muita coisa, desde como as coisas na faculdade funcionam até como o Cabral funciona...hehehehehehe. Além disso, foram bons papos, boas tardes, boas manhãs, filosofias eternas, lindas fotografias, uma vinhada inesquecível e uma cachaçada memorável...enfim, lembranças pra uma vida toda. Na mesma rapidez em que apareceu e fez-se presente, ele foi viver sua vida em Londres, encontrar-se - coisa necessária para todas as pessoas, pelo menos uma vez na vida. Eu morro de saudade e sorrio a cada conversa jogada fora pela internet, ele me faz bem.

Bom, meu querido! Parabéns! Você merece mesmo, tudo de bom dessa vida. Que as coisas continuem dando certo aí nesses cantos, que estou aqui te esperando naquela mesa do bar, com aquela nossa gelada, ok? ;) Te amo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

tempos atrás.

na verdade estava mesmo cansada de tanto barulho, de tanta bagunça. meus joelhos já não aguentavam mais, também. já me incomodava. é, eu precisava mesmo sair dali, e de perto de tantas pessoas. percebi, talvez um pouco tarde, ou cedo, que as dores dos dias seguintes não valeriam á pena, comparadas á uma outra tranquilidade que ali eu não encontraria. e resolvi andar por outros trilhos, respirar outros ares e de cores mais verdadeiras me vestir. e andei tanto e por tão diferentes lugares que vim parar aqui, de pés machucados e roupas sujas, ainda assim, sem ter por perto quem eu sempre desejei ter.

"Levo, flâmula, a confiança
de que o amor há de erguer
no chão do mundo: a utopia"
(Thiago de Mello)


mas no que eu menos acreditei, encrenquei-me ao perceber que estaria então, aonde eu jamais imaginaria. talvez por que dei espaço demais para sentir o que não havia, até então, sentido. desde então, recuso-me a pensar e ignoro outros olhares para tê-lo por perto, pensando em cada palavra, em cada beijo e em casa sorriso - as coisas fluem numa simplicidade de filme de hollywood. só que ainda não consigo pensar nos próximos meses, negando-os, como quem tem medo de voltar a andar por aqueles antigos caminhos.

sábado, 10 de novembro de 2007

desapego;

nesse instante, entrego-me ao desapego por inteiro para escrever-lhes algumas palavras soltas, desimportantes. já não sonho mais com o passado e nem desejo o amanhã. lembro-me do tempo em que as tristezas e as alegrias não me tomavam o tempo - tão precioso tempo. já passei por tanta coisa em tão pouco tempo que aprendi a não mais sofrer, portanto agora espero a maturidade de fazer do sofrimento, poesia - a prosa parece-me tão mais conveniente. passei a simplesmente viver, como quem anda por cima de pedras afiadas por tanto tempo, que um dia já não sente mais nada. hoje escrevo essas palavras no caminho de todo dia, sem dor, escrevo-as apenas. voltando ao viver, sentir me traria consequências desconhecidas e fatais: um risco á força que aprendi a cultivar. não me entregaria á sentimentos que poderiam me trazer a dúvida quanto á certeza que acredito ter sobre qualquer coisa incerta que aprendi a conviver com. basta-me a minha sombra e seus olhos a me enfeitar.


mas mesmo assim, sinto-me incerta quanto ao que diz-me certo. queria ter-te por perto.




ps: não-autobiografico.